As vinícolas no Brasil são a representação perfeita da diversidade cultural e climática do país. Mas você já se perguntou como essas diferenças regionais influenciam a produção de vinhos em território nacional? 

Afinal, será que o vinho produzido na Bahia tem as mesmas características daquele feito em São Paulo? E o vinho de Goiás, ele se assemelha ao que é produzido na já conhecida Serra Gaúcha?

A resposta é um ressonante não, e as razões para isso são tão variadas quanto intrigantes. 

Com a colaboração de especialistas, a UVVA ajuda você a desvendar as nuances que diferenciam as principais regiões vitivinícolas do país. Prepare-se para uma jornada pelos vinhedos brasileiros e descubra o impacto do terroir na qualidade e no sabor dos vinhos que você aprecia.

Confira, a seguir, como as vinícolas no Brasil utilizam as singularidades de cada região para criar vinhos únicos e entenda por que o Brasil está rapidamente se tornando um dos destinos favoritos dos amantes dessa bebida. 

Quantas vinícolas existem no Brasil?

É difícil ter esse dado preciso, as informações sobre o tema são desencontradas. Contudo, entre cadastros do MAPA e números colhidos por instituições privadas, pode-se estimar algo entre 1 mil e 1,1 mil vinícolas no Brasil

“Esse é um número que não existe”, argumenta Rogerio Dardeau, jornalista e escritor, conhecido pelos seus livros que listam as vinícolas brasileiras.

Onde mais se produz vinho no Brasil?

A maior parte da produção de vinho brasileiro se concentra na Região Sul do Brasil, mais especificamente na Serra Gaúcha. Aproximadamente 80% desse total fica entre os municípios do Vale dos Vinhedos e as cidades Flores da Cunha e Caxias do Sul.

No entanto, as fronteiras vitivinícolas do país estão se ampliando em ritmo acelerado – já há registros de mais de 70 vinícolas em Minas Gerais e mais de 50 no Rio de Janeiro, por exemplo.

Um passeio pela produção vitivinícola no Brasil

Para conhecer a produção de vinhos do Brasil, a UVVA entrevistou quem vive a rotina vitivinícola no dia a dia: produtores, enólogos e um pesquisador, figuras representativas do setor.

A seguir, entenda qual é o panorama da produção de acordo com cada região do país e os detalhes sobre as vinícolas no Brasil.

 

 

Região Sul

“Quando falamos do que caracteriza a produção vitivinícola da Região Sul, é bom lembrar que temos uma diversidade de terroirs no Rio Grande do Sul”, diz Felipe Bebber, presidente da Associação de produtores dos Altos Montes, que reúne vinícolas das cidades Flores da Cunha e Nova Pádua. 

“Podemos falar dos Altos Montes e do Vale dos Vinhedos: no geral, a Serra Gaúcha apresenta um perfil. Contudo, há ainda Campos de Cima da Serra, Serra do Sudeste e a Campanha também”, explica Felipe. 

Bebber diz que uma das principais características da região é o frescor, a acidez presente nos vinhos. 

“Especificamente nos Altos Montes, isso de certa forma deixa os vinhos um tanto quanto longevos”, completa.

Além disso, ele aponta que a diversidade dos micro terroirs apresenta diferentes exposições, perfis de solo, de condições, de microclimas distintos dentro de uma mesma propriedade em uma pequena região. 

De acordo com Bebber, as bolhas do Sul chamam muito a atenção, mas também, nos tintos, toda a complexidade, a acidez e a vivacidade têm ganhado muito o paladar – e o espaço – na taça dos consumidores.

Já para Ricardo Morari, presidente da Associação Brasileira de Enologia, o que caracteriza e diferencia a Região Sul, em especial, é a tradição e a expertise acumuladas por mais de cem anos de história no cultivo da uva e na elaboração de vinhos.

“Eu diria que esse é o principal diferencial. Além disso, claro, há uma grande quantidade de microclimas e castas que ampliam a diversidade dos vinhos elaborados em diferentes terroirs, aponta.

Sobre o futuro das regiões de vinícolas no Brasil, Morari aponta que pode ser que elas sejam cercadas pelo tradicionalismo, cada vez mais tem se buscado tecnologias e novas variedades que melhor se adaptam às condições de produção, tanto nos vinhedos como no perfil de vinhos. 

“Eu diria que o futuro daqui não difere muito do que é o futuro nas novas regiões, é a busca de inovação, de novas variedades e adaptação às mudanças climáticas, que é um fator que vem interferindo na produção mundial, e que não é diferente na Região Sul também”, complementa.

Região Sudeste

“Até os anos 2000, 2005, a produção de vinhos de mesa era bastante forte ali em Andradas, Santa Rita de Caldas e Caldas”, explica Giuliano Pereira, pesquisador da Embrapa Uva e Vinho.  

A partir da  invenção da Dupla Poda por Murilo de Albuquerque Regina, o pesquisador explica que essa produção de vinhos de mesa está reduzindo e a tendência é desaparecer. 

Na região está crescendo muito o número de vinícolas produzindo vinhos por esse sistema. Isso acarretou uma grande mudança que começou por Minas Gerais, mas já se espalha por São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, principalmente em regiões de altitude entre 600 e 1.300 metros. 

Segundo o pesquisador, é uma revolução entre as vinícolas no Brasil.

“Eu tenho dito que serão os vinhos de Bordeaux, os vinhos da Toscana, os vinhos do Douro e os grandes vinhos do Brasil serão dessa condição de Dupla Poda, os Vinhos de Inverno. A uva matura muito bem, e chega muito complexa, em termos de metabolismo primário e secundário”, explica. 

Região Centro-Oeste

Da mesma forma que o Sudeste, para o pesquisador da Embrapa, o que revolucionou, está revolucionando e vai revolucionar ainda mais a região Centro-Oeste é a produção de vinhos de inverno, a adoção da Dupla Poda

Essa condição tem uma característica de períodos pouco chuvosos no meio do ano, no inverno, amplitude térmica, insolação, altitudes, regiões entre 600 e 1.300 metros acima do nível do mar, que possibilitam a produção de vinhos de inverno nas vinícolas no Brasil

“Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul são estados que estão entrando forte. Acredito que para o futuro teremos a valorização da tipicidade do terroir do Centro-Oeste. Uma tipicidade composta de solos bastante arenosos, profundos, latossolos: a vinicultura está se adaptando muito bem àquelas condições”, explica. 

Pereira diz ainda que variedades, como Syrah, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Malbec; algumas italianas, como Nebbiolo, Sangiovese, bem como Tempranillo, Touriga Nacional; e as brancas, Chardonnay, Sauvignon Blanc, também estão se adaptando muito bem. 

“Nós temos uma diversidade de variedades bem adequadas à condição do Centro-Oeste brasileiro”, resume.

Região Norte

Giuliano Pereira é um dos profissionais que mais conhece projetos de vitivinicultura pelo Brasil, mas não tem informações sobre a região Norte. 

“Certa vez, produtores de Roraima, Rondônia e Amazonas me ligaram pedindo informações do que plantar. Na época, sugeri labruscas, como Isabel Precoce, Niagara Rosada, porque são variedades mais tolerantes a doenças”, conta. 

No entanto, ele aponta que, como a Amazônia é uma região muito úmida, as variedades europeias iriam muito mal naquela condição.

Região Nordeste

Giuliano Pereira aponta que, no Nordeste do Brasil, a região tradicional do Vale do São Francisco, em baixa altitude – 350, 400 metros acima do nível do mar –, vai continuar produzindo vinhos o ano inteiro. Uma planta produz duas vezes por ano, são duas podas e duas colheitas por ano que resultam em vinhos relativamente jovens, baratos e mais populares.

No entanto, a região tem também regiões em altitude, como Garanhuns, em Pernambuco, e Chapada Diamantina, na Bahia, que produzem com as mesmas condições do Centro-Oeste e do Sudeste com a técnica de dupla poda.

“É uma região então que tem essas duas possibilidades. Os vinhos tropicais, que são mais frescos, populares, vinhos de entrada, vinhos jovens, produção ao longo do ano, e também regiões de altitude que produzem vinhos de inverno, concentrando as colheitas entre junho e agosto”, conclui. 

As variedades são basicamente as mesmas do Centro-Oeste, mas a Syrah, para o Nordeste, tem sido a é a mais utilizada para vinho tinto, bem como Tempranillo, Touriga Nacional, Alicante Bouschet e Cabernet Franc. 

Entre as uvas tintas, ele destaca a Petit Verdot, que está indo bem, assim como as brancas Sauvignon Blanc e Chardonnay. 

Por que explorar novas regiões para além das tradicionais?

Para Ricardo Morari, presidente da Associação Brasileira de Enologia, explorar novas regiões vinícolas no Brasil é um caminho natural. 

“Acho que a principal importância do desenvolvimento dessas novas regiões é ampliar o leque de alternativas e estilos de vinho que o Brasil elabora e tem a mostrar para o mundo”, aponta. 

Morari lembra que em todos os países se tem distinção entre as regiões, com características e perfis de produtos diferentes, com variedades que se destacam mais e que têm maior aptidão. 

“Isso traz ao Brasil novos estilos e novas alternativas de produto e uma diversidade incrível. Além disso, nessas novas regiões começa a se desenvolver também a cultura do consumo de vinho por estar mais próximo dos mercados consumidores e, dessa forma, instigar a curiosidade por conhecer esses estilos”, explica Morari.

Com isso, o vinho produzido no Brasil fica mais próximo do brasileiro em si, em todas as regiões do país. 

O potencial do enoturismo na Região Nordeste

A vitivinicultura no Nordeste brasileiro apresenta características distintas devido ao clima, que difere consideravelmente das regiões tradicionais. 

A atividade nessa região é marcada pela adaptação às condições climáticas tropicais e pelo cultivo de variedades de uvas adequadas a esse ambiente. Por isso, há regiões da Bahia que têm se destacado na produção de vinhos únicos que conquistam seu espaço no mercado.

Esses locais representam, hoje, um notável ponto de referência no cenário do enoturismo na Bahia. Além de suas deslumbrantes formações geológicas e da rica biodiversidade, a região abriga vinícolas que encantam os visitantes com seus vinhos.

Os encantos de Mucugê e da Chapada Diamantina

A Chapada Diamantina tem mostrado um potencial crescente para atrair visitantes interessados na combinação entre a natureza e as paisagens exuberantes e a produção de vinhos. Por isso, quem quer explorar o enoturismo no Brasil e está na região pode contar com os tours da Vinícola UVVA. 

A atividade ecoturística na região vive uma crescente em seu desenvolvimento, impulsionado pela marca de vinhos brasileiros que aposta em inovação, excelência, gastronomia e cultura.

A visita oferece experiências únicas aos turistas, com passeios, experiências artísticas, culturais e gastronômicas e excelentes vinhos, claro.

Vinícolas no Brasil: produção de vinhos finos da UVVA

A vinícola UVVA, em particular, atrai visitantes para suas instalações arquitetônicas que unem conforto com modernidade em meio à exuberância da Chapada Diamantina.

Emoldurada por uma paisagem de tirar o fôlego, na cidade de Mucugê, a UVVA foi concebida para se tornar uma nova fronteira no cenário do enoturismo dentre as vinícolas no Brasil

A vinícola abriu as portas ao público em março de 2022, mas dez anos antes já iniciava um trabalho audacioso apostando em um território até então inexplorado pela vitivinicultura. 

A semente da inovação foi o plantio de uvas com o objetivo de produzir vinhos de alto padrão que carregam a identidade de um novo terroir.

Características técnicas do terroir

O clima tropical de altitude com um solo franco-argiloso-arenoso cria um terroir ideal para cultivar variedades capazes de produzir vinhos finos e complexos. Além disso, a amplitude térmica significativa auxilia no equilíbrio entre açúcares e ácidos nas uvas, influenciando diretamente a qualidade e o aroma dos rótulos.

Sistema de dupla poda

O sistema de dupla poda é uma técnica utilizada pela UVVA que consiste em ajustar o ciclo de produção das videiras, otimizando a exposição solar e o amadurecimento das uvas. Ele assegura que a colheita possa ocorrer nas condições climáticas ideais, evitando períodos chuvosos e garantindo a saúde da vinha, mesmo no inverno.

Tecnologia de produção acompanhada por enólogos 

A produção dos vinhos é aprimorada pela integração de tecnologias avançadas e a expertise de enólogos. Utilizando mapeamento detalhado do solo e análise precisa de nutrientes via imagens de satélite, a vinícola assegura uma correção uniforme do solo já na implantação dos vinhedos. 

Durante a vinificação, o monitoramento diário de nitrogênio garante uma fermentação alcoólica eficiente, permitindo ajustes precisos que garantem a qualidade e a consistência da bebida.

Destaque em premiações

A UVVA ganhou destaque no mercado de vinhos brasileiros com seus rótulos premiados, como o Diamã e o Cordel. Os microlotes de Petit Verdot e Cabernet Sauvignon também se destacam, tendo recebido altas pontuações e medalhas de ouro no Brazil Wine Challenge.

O Chardonnay também tem acumulado prêmios, como o Vinalies e Chardonnay du Monde, além de, por dois anos seguidos, ter sido reconhecido e bem pontuado pelo renomado guia James Suckling.

Reconhecidos pelo Guia Descorchados, esses vinhos são conhecidos pela sua rica complexidade aromática e gustativa, fruto de uma seleção cuidadosa de uvas e um processo meticuloso de vinificação.

Como visitar a Vinícola UVVA?

Uma das vinícolas no Brasil para visitar é a UVVA, que fica em Mucugê, na Chapada Diamantina. 

Para conhecê-la, verifique o site oficial da vinícola para saber os horários de funcionamento e agendar uma visita. É recomendável fazer uma reserva antecipada, especialmente durante a alta temporada. 

Na visita, você poderá degustar vinhos e conhecer mais sobre o empreendimento, o terroir, os processos e os rótulos brasileiros que vêm ganhando destaque entre os apreciadores da bebida.

Tours disponíveis

A UVVA oferece tours personalizados para que cada visita possa se transformar em uma experiência diferenciada e seja de momentos marcantes. 

Quem quer mergulhar nesse universo do enoturismo na Bahia e ir além de um passeio convencional tem opções para escolher, sempre com o acompanhamento de especialistas.

Confira os tours da UVVA para desbravar o enoturismo no Brasil:

Restaurante Arenito

Complementando a visita, o Restaurante Arenito oferece uma experiência gastronômica comandada pelo chef Andre Chequer, responsável por criar pratos que combinam técnicas contemporâneas com ingredientes locais. 

Os visitantes podem harmonizar os vinhos brasileiros com os pratos enquanto desfrutam de uma vista única.

União entre natureza, arte e arquitetura

Além dos vinhos e da gastronomia, a UVVA destaca-se pela sua integração com a natureza da Chapada Diamantina e pela valorização da arte e arquitetura. A vinícola inclui uma galeria de arte em sua cave subterrânea, oferecendo uma imersão cultural que complementa a experiência. 

A arquitetura do local também é cuidadosamente planejada para harmonizar com a paisagem natural, enriquecendo ainda mais a visita.

Como comprar os vinhos da UVVA?

Para adquirir os vinhos UVVA, você pode visitar a sede da vinícola em Mucugê, que conta com uma loja exclusiva com todos os produtos da vinícola, aberta de terça a domingo, das 9h às 18h.

Além disso, a vinícola disponibiliza um e-commerce em que você conhece a ficha técnica de cada produto, faz seu pedido e o recebe em casa – em qualquer lugar do país.

Clique aqui e descubra os vinhos UVVA.

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