Muita gente pode até não saber exatamente como definir a sensação, mas a influência do terroir no vinho se revela a cada vez que degustamos a bebida e sentimos que ela carrega “o gosto de um lugar”. 

Para entender melhor, vale a pena saber de onde vem o conceito e como a ação humana se harmoniza com os elementos oferecidos pela própria natureza para potencializar os sabores e os aromas que definem a identidade única de cada garrafa.

Entenda, neste artigo, o que é o terroir para o vinho, quais são os tipos encontrados no Brasil e como esse termo em francês é usado para definir ambiente geográfico, geológico e climático para a produção de bebidas de alta gama.

O que é terroir?

Terroir é um termo francês que não tem uma tradução exata em português, mas engloba a ideia de que os ambientes geográfico, geológico e climático onde um produto é cultivado influenciam significativamente as características e a qualidade do vinho.

Ele se refere a um conceito importante na produção de vinho, mas que também é aplicado a outros produtos agrícolas, como café especiais e frutas. 

Tipos de terroir brasileiros

O Brasil conta com diversas regiões vinícolas, cada uma com suas características de terroir específicas. 

O Rio Grande do Sul é o estado brasileiro de maior tradição vitivinícola, favorecido pela imigração italiana do final do século XIX. Por isso, também estão lá os terroirs mais estudados, influenciados pela grande diversidade de altitudes e variedade de temperatura.

O estado se configura como uma macrorregião que pode ser dividida em quatro pólos de produção de vinhos: Campos de Cima da Serra, Serra Gaúcha – incluindo o famoso Vale dos Vinhedos – Serra do Sudeste e Campanha Gaúcha.

Em Santa Catarina, as áreas altas e frias colaboram para o cultivo de castas finas, como as francesas Cabernet Sauvignon e Chardonnay. O estado onde são registradas as temperaturas mais baixas do Brasil apresenta um terroir ainda pouco explorado, mas revela vocação para cultivo de castas francesas tradicionais.

Também na Região Sul, o estado do Paraná desponta como região promissora, com a produção de vinhos influenciados pelos relevos que vão do plano ao planalto e pelo clima temperado com inverno rigoroso e verão chuvoso. As uvas mais presentes na região são as castas francesas.

Há, ainda, a produção de vinhos no Sudeste. Apesar de ser uma atividade relativamente recente, mas que vem crescendo devido à adoção da técnica da dupla poda, que permite a colheita das uvas no inverno, em regiões como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Contudo, a Região Nordeste também guarda grande potencial para cultivo de uvas, dentre elas .

O local é, hoje, a mais surpreendente integrante da rota do vinho no Brasil, pois desafia antigas crenças de que se trata de um lugar impossível para a produção de vinhos brasileiros. Climas tropicais, diversidade de altitudes e tipos de solo contam pontos a favor, sendo os estados da Bahia e de Pernambuco os expoentes desse cenário.

 

 

Quais são os elementos que compõem o terroir para produção de vinhos?

Os principais elementos que contribuem para a formação do terroir para o vinho são clima, solo, topografia, variedade de uvas e práticas tradicionais de produção.

Entenda detalhes sobre esses elementos.

Clima

As condições climáticas, como temperatura, volume e frequência de chuvas, exposição solar e ventos, afetam o crescimento das uvas e culturas e podem influenciar seu sabor, seu aroma e sua maturação.

Solo

A composição do solo, incluindo sua textura, drenagem, profundidade e seus nutrientes, tem um impacto direto nas uvas. Diferentes tipos de solo podem dar origem a sabores e aromas distintos nos produtos.

Uvas

A escolha das variedades de uva cultivadas em uma determinada região também é uma parte crucial do terroir. Diferentes variedades de uva têm características distintas que se adaptam melhor a certos tipos de solo e clima.

Trabalho humano

As práticas agrícolas tradicionais e as técnicas de vinificação específicas de uma região também podem desempenhar um papel importante no terroir, uma vez que contribuem para o desenvolvimento do produto.

Qual é a importância do terroir para o vinho?

O terroir enfatiza a importância da interação complexa entre o ambiente natural e as práticas humanas na produção de alimentos e bebidas de alta qualidade. É um conceito valorizado na produção de vinhos e frequentemente usado para destacar a singularidade e a autenticidade de produtos regionais.

Sendo assim, o terroir é o que confere ao vinho sua identidade única e distinta, tornando-o um reflexo autêntico da região de origem. 

Portanto, compreender e respeitar o terroir é fundamental para a produção de vinhos de qualidade e para a preservação das tradições vinícolas de uma determinada área.

Ação humana tem influência no terroir

Além das características que a própria natureza oferece, o fator humano é essencial para a consolidação de um terroir. Isso porque um dos princípios está no modo como as pessoas lidam com as particularidades do território em que produzem. 

Os viticultores selecionam as uvas com base nas características do terroir, determinando assim o perfil de sabor do vinho. Eles também adotam práticas de cultivo específicas, como irrigação e manejo de pragas, para otimizar o crescimento das uvas. 

Além disso, os enólogos e os produtores de vinho tomam decisões durante o processo de vinificação que moldam ainda mais o caráter do vinho, como a fermentação, o envelhecimento em barris e a mistura de vinhos de diferentes parcelas.

Portanto, a intervenção humana desempenha um papel essencial na interpretação e na expressão do terroir em um vinho específico.

Como extrair o que há de melhor de cada casta

A UVVA está alinhada ao que há de mais atual em equipamentos e infraestrutura, mantendo uma linha de produção de alto nível de ponta a ponta. Mas a melhor forma de extrair o potencial de cada safra é pôr a tecnologia a serviço da natureza, respeitando seu fluxo.

Além de deixar que a natureza faça seu trabalho irretocável na produção das uvas sob o clima típico da região, na UVVA nós nos empenhamos em interferir o mínimo possível no produto. Nossos vinhos são produzidos sob critérios rigorosos, sem adição de açúcares ou outros ingredientes.

Terroir da Chapada Diamantina: o que há de especial?

A UVVA vem provando que do território nordestino, em particular desse pedaço especial da Bahia que é a Chapada Diamantina, brotam vinhos de altíssimo padrão, marcados por identidade própria e genuinidade. 

As nuances relacionadas à geografia, às características geológicas e às particularidades do clima da região fazem com que o terroir da Chapada Diamantina seja, sim, único.

Diferença com a Região Sul do país

A produção de vinhos nas Regiões Sul e Nordeste do Brasil apresenta diferenças significativas devido às características climáticas, geográficas e culturais distintas entre essas duas partes do país. 

Embora o sul do Brasil seja a maior referência para o enoturismo no Brasil, outras regiões do país também podem ser opções interessantes para vivenciar essa experiência com plenitude.

Diversidade de climas e terroirs, particularidades culturais e históricas e facilidade de acesso são motivos que atraem os olhares de turistas para as vinícolas do Nordeste.

Nesse cenário, a Chapada Diamantina, na Bahia, se destaca como uma opção para quem busca aliar uma viagem memorável com os prazeres proporcionados pela degustação de um vinho de alta gama em uma paisagem de tirar o fôlego.

UVVA é uma das atrações no que fazer em Mucugê

Como a UVVA aproveita o potencial do terroir para produzir vinhos de alta gama?

A UVVA desfruta de privilégios, como a localização na cidade de Mucugê, em uma área 1.150 metros acima do nível do mar. Além do clima favorável, típico de regiões serranas e planaltos, a vinícola conta com um solo que contribui para tornar o ambiente favorável ao desenvolvimento dos vinhedos.

Microclima e solos únicos

O clima tropical de altitude tem características muito peculiares quanto a umidade, temperatura e índices pluviométricos. O traço mais relevante e que torna o lugar particularmente propício para a produção de vinhos é a amplitude térmica, em especial na fase em que as uvas estão amadurecendo nos vinhedos.

Além da altitude e da temperatura, o solo é uma peça fundamental para a formação do terroir. Na Chapada Diamantina, o tipo predominante é o franco-argilo-arenoso, cuja composição, textura e dinâmica de absorção de água favorecem o cultivo de uvas. Além disso, os tons de amarelo-escuro são um espetáculo à parte e podem ser vistos de perto na nossa cave subterrânea.

Sistema de dupla poda

Para garantir uma colheita estratégica, nós utilizamos a técnica da dupla poda. Realizada duas vezes por ano, em janeiro e setembro, a ação realinha o ciclo da videira de forma a permitir que a colheita seja no inverno, que é o período mais seco e com maior amplitude térmica do ano, proporcionando a maturação plena das uvas.

Isso resulta em uma sincronia entre os dois tipos de maturação – a técnica, ligada à formação dos açúcares, e a fenólica, que consiste no acúmulo de compostos aromáticos, acúmulo de antocianinas e polimerização de taninos. Além disso, nossas uvas são colhidas à mão para que os frutos cheguem cuidadosamente à área de produção.

Maturação em barricas de carvalhos

Antes de chegar às garrafas, os vinhos da UVVA realizam uma verdadeira jornada para incorporar e realçar suas cores, seus aromas e seus sabores. Boa parte desse processo acontece durante os estágios em barricas de carvalho, o que pode variar de seis a doze meses ou mais, a depender do tipo.

A vinícola utiliza as barricas clássicas, de carvalho francês, de diferentes perfis, e as mais contemporâneas, mesclando carvalho americano e carvalho francês. Cada material contribui a seu modo para compor a complexidade sensorial e permitir que os vinhos expressem o terroir da Chapada Diamantina de maneira única.

Acompanhamento de enólogos em todo o processo

A UVVA consegue potencializar o que a natureza oferece graças a uma equipe de enologia que trabalha sob rigorosos critérios de qualidade. Interferindo o mínimo possível no produto, são essas pessoas que acompanham e garantem uma produção de alto nível de ponta a ponta.

Conheça a UVVA e seu terroir exclusivo para vinhos finos

A UVVA oferece opções de tour para todos os estilos:

  • Visitação UVVA: atração ideal para quem deseja conhecer o empreendimento em linhas gerais; 
  • Entusiasta Sincorá: opção perfeita para quem está com a agenda enxuta; um dos pontos altos é a vista panorâmica da Serra do Sincorá e dos vinhedos. 
  • Experiência UVVA: opção para visitantes que têm mais tempo disponível, com visita mais detalhada e degustação de quatro rótulos. 
  • Imersão Vindima: para quem quer mergulhar fundo e tem tempo disponível para dedicar um dia inteiro a uma experiência inesquecível. Contudo, é realizada apenas no mês de julho.

Além dos tours, a vinícola conta com uma galeria de arte em sua cave subterrânea, que proporciona, literalmente, uma imersão. Atualmente, o espaço é ocupado pela exposição “O Tempo Espelhado”, do artista baiano Marcos Zacariades, radicado na vizinha vila de Igatu. 

Outro lugar que não pode ficar de fora é o restaurante Arenito, que se junta aos vinhos da UVVA para proporcionar uma experiência enogastronômica extraordinária. O chef André Chequer assina um elegante cardápio, no qual técnicas da cozinha internacional dialogam com ingredientes locais para oferecer uma gastronomia contemporânea e autoral. 

Clique aqui e agende sua visita!

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