A chegada de um novo ano nunca esteve cercada de tanta expectativa. Depois de um 2020 atípico, que nos desafiou a redesenhar radicalmente nossas trajetórias, janeiro vem trazendo o simbolismo de uma renovação há muito desejada.

 

Na vinícola UVVA, o início de 2021 também coincide com um momento importante do ciclo que leva nossos vinhos da parreira à garrafa. Lá para meados deste mês, nossa equipe estará preparada para realizar a primeira fase da dupla poda ou poda invertida.

 

Já conversamos sobre este assunto por aqui, lembra? A técnica realinha o ciclo da videira de forma a permitir a formação de ramos produtivos e a maturação plena das uvas para uma colheita estratégica. Mas, desta vez, o enólogo Marcelo Petroli nos traz mais detalhes que aguçam a curiosidade.

 

 

UVAS EM SINCRONIA

 

“As uvas sofrem dois tipos de maturação, a técnica e a fenólica. A técnica, que está ligada à formação dos açúcares, costuma acontecer mais rapidamente. Já a fenólica, que determina o desenvolvimento de pigmentos e taninos, é naturalmente mais lenta”, detalha o especialista.

 

Esse descompasso entre os dois estágios de maturação, comum na maioria das regiões produtoras de uvas que utilizam sistema de poda convencional, pode comprometer a qualidade do produto final. Isso porque, nesses casos, os vinhos estão sujeitos às oscilações das características naturais da uva.

 

“Com a dupla poda, nós alteramos o ciclo da videira de forma a reduzir a velocidade de evolução dos açúcares, então as maturações técnica e fenólica acabam acontecendo no mesmo ritmo. Assim, conseguimos promover uma sincronia”, esclarece Petroli.

 

 

FICAR DE OLHO NO CALENDÁRIO FAZ PARTE DO PROCESSO DE DUPLA PODA

 

Para a estratégia dar certo, a equipe precisa ficar de olho no calendário. Assim, o mês de janeiro, ponto alto do Verão, é a época ideal para a poda de produção, que permitirá a realização da colheita entre os meses de maio e julho. Ao longo desse intervalo, que atravessa o Inverno, são colhidas primeiro as variedades de uva mais precoces e, na sequência, as que possuem ciclos mais longos.

 

Na Chapada Diamantina, tudo conspira a favor. A fase de colheita coincide com a época mais seca do ano, em que as chuvas tornam-se mais raras e a amplitude térmica aumenta, garantindo uma alternância entre dias quentes e noites frias. Ou seja, é quando as condições alcançam o patamar considerado ideal.

 

Depois disso, o ciclo segue seu curso. Agosto é o mês em que os vinhedos ficam em repouso. Já em setembro acontece a segunda fase da poda, a de formação. Se algum cacho de uva aparece nesse período, é colhido antes de se desenvolver e retorna à terra como matéria orgânica. “A intenção é que a videira guarde energia para a fase seguinte”, resume nosso enólogo.

 

 

A DIFERENÇA ESTÁ NA TAÇA

 

Até aqui, tudo bem. Mas o que os apaixonados por vinho querem saber mesmo é:  será que dá pra perceber que diferença faz o processo da dupla poda, na hora em que a bebida vai para a taça? “A sintonia entre as maturações garante complexidade aromática, taninos mais aveludados e um bom equilíbrio entre álcool, acidez e estrutura”, explica Marcelo Petroli.

 

E ainda entram nessa equação as particularidades das uvas, já que cada variedade expressa de forma peculiar seu potencial diante do terroir da Chapada Diamantina, região marcada pelo clima tropical de altitude e solo franco-argilo-arenoso.

 

Na UVVA, há cerca de dez variedades em observação, já com excelentes resultados. Mas cinco, em particular, fazem a voz do nosso enólogo ganhar um tom a mais de entusiasmo. Entre as tintas, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Petit Verdot. No time das brancas, Chardonnay e Sauvignon Blanc. Anotou?

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