Até parece que foi ontem. Ainda estamos saboreando as lembranças de 17 de setembro de 2020, que poderia ser uma quinta-feira qualquer, mas culminou em uma “noite improvável”. A definição foi do jornalista Tiago Eltz, que assumiu o posto de mestre de cerimônias do lançamento oficial da nossa marca naquele dia.

 

Não poderia haver melhor tradução. O próprio apresentador mediou a transmissão ao vivo a partir de Nova York, enquanto equipe e parceiros da Vinícola UVVA estavam localizados em diferentes cidades do Brasil, sem contar os 300 convidados especiais que acompanhavam de suas casas aquele momento histórico.

 

Não bastasse o distanciamento imposto pelo contexto da pandemia do novo Coronavírus, que impediu a animação do brinde e o calor do abraço, estávamos celebrando ali o nascimento de uma vinícola em plena Bahia. Rótulos finos e equilibrados em uma terra que em nada remete à tradição milenar da produção e consumo de vinhos? Improvável, sim. Mas não impossível.

 

 

WORK IN PROGRESS

 

Não existe fórmula mágica, como revela Fabiano Borré, diretor do projeto. “Temos a nosso favor uma altitude de 1.150 metros, boa amplitude térmica, estações bem definidas”, enumera. “Mas nada é certo quando estamos falando de novas iniciativas. Não se trata só de plantar uva, é preciso saber se de fato existe viabilidade. É muita pesquisa, trabalho e determinação”, completa Borré, lembrando que este é o novo passo de um projeto que já vem sendo construído há 10 anos.

 

Representante da terceira geração de uma família que fincou raízes na Chapada Diamantina em 1984, Fabiano teve uma prova de que se trata de um “work in progress” durante a própria transmissão ao vivo. Por instantes, uma inesperada queda de energia na vinícola o obrigou a correr para a sede da fazenda para continuar participando do evento. “Adaptação tem feito parte do projeto desde o início”, comentou, sem perder o bom humor.

 

 

PRINCIPAIS APOSTAS

 

O imprevisto também testou o poder de improvisação do enólogo Marcelo Petroli, que não se fez de rogado. Durante parte do evento, ele esteve em um ambiente a luz velas – seria, curiosamente, uma sugestão de como apreciar os vinhos da Vinícola UVVA? Isso fica por conta da imaginação. O que Petroli pode garantir agora é que o futuro é promissor.

 

“É grande o desafio de fazer vinho onde ninguém nunca tinha feito. Tínhamos um campo experimental, com a intenção de eliminar algumas uvas. Mas todas elas continuam no nosso leque, porque estão indo muito bem”, revela. Para aplacar a ansiedade dos mais curiosos, damos aqui um aperitivo: Chardonnay, Sauvignon Blanc, Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e Petit Verdot estão entre as principais apostas para os primeiros rótulos.

 

 

TÉCNICA E BÊNÇÃO

 

O bom desempenho das uvas tem explicação. O viticultor Murillo de Albuquerque, pesquisador da Epamig e criador da tecnologia de Dupla Poda em videiras no Brasil, que participou do evento conectado de Minas Gerais, aponta dois fatores essenciais. Um deles é a condição climática particular da região. “Um dos problemas do Sul e Sudeste é a questão do regime de chuvas. Na Chapada Diamantina, temos períodos de estiagem acompanhados de dias ensolarados e noites frias no período de amadurecimento e colheita. É isso que faz um vinho de qualidade”, define.

 

Outro fator de sucesso é a aplicação da dupla poda. Também conhecida como poda invertida, a técnica realinha o ciclo da videira de forma a permitir a formação de ramos produtivos e a maturação plena das uvas para uma colheita estratégica. Para o especialista, há ainda a influência de elementos que escapam a qualquer tentativa de protocolo. “Eu não sei que benção a família Borré encontrou nesse lugar”, encanta-se.

 

 

SINTONIA COM A PAISAGEM

 

Difícil não se encantar também com o mapa da vinícola, que carrega a assinatura da arquiteta Vanja Hertcert. “É a primeira vinícola cujo desenho responde a um design específico. Desde o início se pensou em um plano diretor de ocupação da gleba que posicionasse a vinícola no ponto mais alto, preservando os vinhedos em um aclive constante e delicado”, descreve a arquiteta, que traz na bagagem 25 anos de carreira dedicados ao universo dos vinhos e diverte-se dizendo que nasceu com “Lua em Merlot e ascendente em Chardonnay”.

 

Participando do evento direto de Porto Alegre, a arquiteta fez questão de destacar também a plantação em forma círculos, inspirada no sistema de pivô – qualquer semelhança com símbolos atribuídos a forças extraterrenas que já fizeram sucesso no cinema é, sim, mera coincidência. Mais do que técnica e estética, o projeto arquitetônico também preza pelo respeito à natureza e total sintonia com a paisagem local. Esses elementos também estarão no DNA do complexo hoteleiro que fará parte da vinícola em um futuro próximo.

 

 

QUATRO LETRAS

 

Enquanto não chega o dia de ver de perto essa paisagem deslumbrante, os amantes do vinho podem se deliciar com a história por trás do nome da vinícola. A cereja do bolo ficou guardada para o momento final do evento de lançamento e foi trazida pelo diretor de criação Pablo Gómez, da Dzigual Golinelli, conectado de Santa Catarina.

 

Revelando uma perfeita combinação entre o simples e o inovador, a marca da Vinícola UVVA consegue reunir em um único elemento visual referências como a Serra do Sincorá, que reina absoluta no horizonte; o diamante, símbolo da riqueza histórica da Chapada Diamantina; e o próprio cacho da fruta, matéria-prima fundamental do vinho. “A inspiração é toda regional. A ideia é remeter à localização geográfica, procedência, qualidade e diversidade. São apenas quatro letrinhas, mas é enorme a quantidade de informação cultural”, orgulha-se Gómez.

 

Depois desse passeio pelos bastidores do projeto, é claro, todo mundo só quer saber de uma coisa: quando os vinhos da Vinícola UVVA estarão nas prateleiras? Ainda não dá para contar tudo, mas podemos dizer que os primeiros cortes e varietais estarão disponíveis no início de 2021, em uma primeira leva de 55 mil garrafas. Sobre mais detalhes a gente conversa nos próximos posts!

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