Diante da Serra do Sincorá, a Vinícola UVVA, perfeitamente integrada ao terroir de Mucugê, na Chapada Diamantina, surge como um manifesto de brasilidade. Enquanto a sua arquitetura exterior abraça a Linha do Horizonte, o projeto de interiores da GAM Arquitetos assume o papel de traduzir essa grandiosidade para o ambiente interno, consolidando-se como referências em design de vinícolas no Brasil.
Cada espaço foi desenhado para conduzir o visitante a um estado de calmaria, silêncio e contemplação. Texturas brasileiras, mobiliário contemporâneo e uma curadoria que valoriza a iluminação natural criam um diálogo sofisticado com a paisagem lá fora, mostrando que o ambiente interno pode ser, ele mesmo, uma expressão do território.
Descubra, neste artigo, como a curadoria de materiais, o layout dos ambientes e a escolha do mobiliário mostram o design de vinícolas da UVVA como uma obra da arquitetura contemporânea, moldada para aguçar os sentidos e celebrar o tempo.
Encontro entre arquitetura e paisagem: a Serra do Sincorá como protagonista
Na UVVA, arquitetura e paisagem não se separam. O projeto parte da leitura do território para construir uma experiência na qual o visitante é constantemente direcionado à Serra do Sincorá, considerado elemento central da proposta.
O conceito de contemplação no projeto da GAM Arquitetos
Segundo Anna Fernandes, da GAM Arquitetos, a premissa do projeto de interiores sempre foi clara: atuar como coadjuvante, deixando a natureza como protagonista.
Elementos já presentes na arquitetura, como cimento, concreto e aço corten, foram mantidos e complementados com materiais naturais em sua forma mais bruta.
O layout foi pensado de maneira contemplativa, respeitando vazios e respiros previstos no projeto arquitetônico concebido. A circulação convida à desaceleração, com a vista sempre presente ao longo dos ambientes, reforçando a experiência sensorial e o vínculo com a paisagem.
Transparência e fluidez: dissolvendo limites entre interior e exterior
A relação entre interior e exterior acontece de forma natural. O uso do vidro no salão principal cria um ambiente onde os limites físicos praticamente desaparecem, ampliando a percepção da paisagem.
As varandas e terraços também funcionam como extensões naturais dos espaços internos, reforçando a continuidade e permitindo que o visitante transite entre diferentes ambientes contemplando a natureza.

Materialidade bruta e elegância silenciosa
No contexto do design de vinícolas, a escolha dos materiais define a estética e a experiência do espaço. Na UVVA, a materialidade parte de uma base mais austera e se constrói por meio de contrastes.
Concreto, cimento e madeira como identidade visual
A arquitetura já apresentava uma linguagem marcada por materiais como concreto, cimento e aço corten. O projeto de interiores respeitou essa base e incorporou a madeira como elemento de equilíbrio e acolhimento.
A madeira foi aplicada no forro e em painéis, criando contraste com os materiais mais brutos e contribuindo para aquecer os ambientes. Esse equilíbrio entre rigidez e conforto define a identidade visual da vinícola.
Forro ripado: acústica e direcionamento do olhar
O forro ripado em madeira cumpre um papel fundamental no projeto. Além da função acústica, ele direciona o olhar de quem entra pela porta principal até a vista externa. Esse recurso reforça o conceito contemplativo, organizando o espaço de forma sutil e conduzindo a experiência sem a necessidade de elementos excessivos.

Tons neutros e texturas naturais
A escolha dos materiais segue uma lógica de durabilidade e naturalidade. O projeto prioriza materiais que envelhecem bem e não exigem substituições constantes ao longo do tempo.
O equilíbrio está no contraste entre concreto e madeira, aço corten e couro, além do uso de vidro e tecidos naturais como o linho. Essa combinação cria uma experiência sensorial que não compromete a sobriedade do espaço.
Permanência e atemporalidade no design de vinícolas
A materialidade da UVVA, muito além de uma escolha estética, reflete uma preocupação com a permanência. O uso de materiais em sua forma mais bruta traz uma estética atemporal, alinhada ao conceito de projetos duradouros dentro do universo das vinícolas.

Curadoria de design: mobiliário autoral como manifesto de brasilidade
Nos projetos de vinícolas brasileiras, o mobiliário pode assumir um papel central na construção da identidade. Na UVVA, a curadoria dos móveis reforça a brasilidade e o diálogo com o território.
Peças assinadas
Para compor os ambientes, o projeto optou exclusivamente por peças de designers brasileiros. A curadoria reúne nomes como Ilse Lang, Jader Almeida, Arthur Casas, Ronald Sasson e Sérgio Rodrigues.
Essa seleção mistura diferentes estilos, desde o modernismo até abordagens contemporâneas, criando uma composição equilibrada e coerente com a identidade do projeto.
Valorização do feito no Brasil
A escolha por mobiliário de design brasileiro reforça a identidade da vinícola e valoriza a produção nacional, assim como seus vinhos. Essa decisão contribui para consolidar a UVVA dentro do cenário das vinícolas brasileiras, conectando arquitetura, interiores e cultura.
Contraste entre o design contemporâneo e a robustez da vinícola
O mobiliário atua como contraponto à materialidade mais contemporânea e imponente da arquitetura. Enquanto o concreto e o cimento trazem peso e permanência, as peças de design introduzem leveza e sofisticação. Esse contraste constrói a elegância silenciosa característica do projeto.

Experiências sensoriais nos ambientes da UVVA
Na UVVA, cada espaço foi pensado para criar uma experiência diferente. O projeto organiza os ambientes de acordo com seu uso, construindo um percurso que alterna contemplação, convivência e imersão.
Restaurante e pavimento superior
No pavimento superior, o layout privilegia a contemplação e o respiro. Os ambientes possuem menos mobiliário, permitindo maior presença da paisagem.
No restaurante, a disposição dos móveis foi pensada estrategicamente: elementos mais baixos próximos à vista e mesas posicionadas ao fundo, criando equilíbrio entre funcionalidade e experiência.
A varanda e o terraço também funcionam como extensões naturais desses espaços, reforçando a integração com o entorno.
Cave e sala de degustação na rocha
No subsolo, a experiência assume um caráter mais intimista. A cave apresenta menor interferência visual, focando na percepção do vinho e no ambiente.
Já a sala de degustação, posicionada dentro da rocha, intensifica essa proposta ao oferecer uma vivência mais imersiva, com atmosfera distinta dos espaços superiores.

Como a arquitetura de interiores eleva a experiência do visitante
Na UVVA, o design de interiores está diretamente alinhado ao posicionamento da vinícola. A proposta é oferecer visitas mais tranquilas, com foco em contemplação, degustação e desconexão.
Os ambientes amplos, poucos elementos e o uso estratégico de vazios fazem com que o próprio layout convide o visitante a desacelerar. A experiência é construída de forma sensorial, sem excessos.
Nesse contexto, a infraestrutura de vinícolas deixa de ser apenas funcional e passa a atuar como uma parte da jornada do visitante.

Conheça a Vinícola UVVA
Localizada em Mucugê, na Bahia, a Vinícola UVVA vai além da arquitetura e se afirma como um dos projetos mais inovadores entre as vinícolas brasileiras.
Com vinhedos cultivados a partir de 1.150 metros de altitude, a vinícola combina condições naturais únicas com um trabalho técnico preciso no cultivo das uvas e na elaboração dos vinhos.
A produção de Vinhos de Inverno segue a técnica da Dupla Poda, permitindo a colheita no inverno, período de maior amplitude térmica e menor incidência de chuvas, o que favorece a maturação lenta e equilibrada das uvas. O resultado são vinhos que expressam frescor, estrutura e identidade própria do terroir local.
A experiência integra vinho, paisagem e arquitetura. Entre visitas guiadas, degustações e o restaurante Arenito, o visitante percorre um espaço pensado para desacelerar e se conectar com o território.






